Vauban: O bairro que recicla, gera energia, quase não tem carros e tem gente feliz

Por Vitor Vieira

Atualmente cada vez mais cidades vêm aderindo ao conceito de sustentabilidade, criando propostas que melhoram a qualidade de vida, reduzindo a poluição, reutilizando e reciclando materiais, racionalizando uso de água e energia e gradualmente tornando a cidade cada vez mais integrada à comunidade com lugares para interação social, melhoria da mobilidade urbana, diminuindo a segregação social e principalmente a gentrificação.

O bairro de Vauban, na cidade de Freiburg, na Alemanha se tornou um modelo de cidade sustentável. O projeto começou em meados dos anos 90 em um terreno onde era base militar francesa nomeada em homenagem ao engenheiro militar francês Sébastien Le Prestre de Vauban. Em 1993 iniciou-se o planejamento do bairro, e já nos anos de 1995 e 1996 foram feitos encontros comunitários para conscientização sobre o uso de energia. Em 1998 começaram as primeiras construções e em 2006 o projeto de Vauban estava concluído e funcionando!

Planejada para até 5.000 habitantes, o bairro teve suas casas construídas para funcionar como micro usinas de geração de energia elétrica. Essa geração de energia não só supre às necessidades do local como gera créditos, ou seja, as casas geram mais energia do que consomem (cerca de 4 vezes) e toda essa energia excedente é repassada para rede pública.

Além da tecnologia em prol da sustentabilidade, todas as construções foram pensadas sobre os conceitos do bioclimatismo. No verão, com a posição aparente do sol em ângulo mais alto, as varandas servem para impedir a entrada direta de calor, já no inverno, com a insolação em um ângulo mais baixo, as grandes janelas permitem a passagem de iluminação natural sem comprometer o conforto ambiental interno. Essas janelas são compostas por camadas de vidro para isolar o calor dentro da edificação e muitos dos prédios ainda possuem coletores solares ou placas fotovoltaicas. Além disso, as coberturas possuem sistemas de captação de água da chuva, que é utilizada para irrigação de jardins e uso em vasos sanitários.

A reciclagem é outro aspecto exemplar de Vauban. Todos os resíduos gerados são totalmente separados em coletores espalhados pela cidade e cerca de 65% desses resíduos são reciclados.

Para evitar a circulação de automóveis nas ruas, foram criados estacionamentos para visitantes nas vias periféricas, fazendo da caminhada e da bicicleta as ferramentas de locomoção oficiais do local. Para facilitar ainda mais a mobilidade foram determinadas áreas de ciclovias que cortam praticamente todas as ruas do bairro, juntamente com os “trams”, aqueles bondes que andam sobre tapetes de grama.

A adoção dessa conjunto de ações sustentáveis planejadas fez com que, em 2009, cerca de 70% das famílias escolhessem viver sem o uso de automóvel e de maneira muito mais harmônica com o ambiente.

Imagens via: Wikimedia / Ellen Macarthur Foundation / Material Semiotic / FCS

publicado em arquiteturasustentavel.org

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Trailer produz energia solar e eólica para áreas afetadas por desastres

O trailer é equipado com placas fotovoltaicas e turbinas eólicas.
O trailer é equipado com placas fotovoltaicas e turbinas eólicas.
Foto :Divulgação

O MobileMill foi um sistema criado pela empresa norte-americana WindStream com o objetivo de levar energia renovável a locais afetados por catástrofes. Com o formato semelhante ao de um trailer, o equipamento é capaz de produzir energia a partir do sol e dos ventos.

Após eventos naturais extremos, como furacões, tornados ou tsunamis, é comum que as regiões afetadas fiquem sem energia. Estas condições acabam dificultando ainda mais os trabalhos de resgate e colocam a vida de muitas pessoas em risco.

O MobileMill surge então, como uma solução emergencial para este problema. Equipado com placas fotovoltaicas e pequenas turbinas eólicas, ele é capaz de gerar energia limpa em quase todas as condições climáticas. Outro benefício do sistema é a sua praticidade. Por ser semelhante a um trailer, ele é equipado com rodas e pode ser transportado por qualquer carro.

De acordo com a empresa, a tecnologia é capaz de fornecer até 4 KW de energia limpa. Além disso, é necessário apenas um minuto após o trailer ser estacionado para que ele comece a transmitir a energia. Mesmo tendo como principal função a produção de energia renovável, ele também pode ser conectado às redes de transmissão para usar ou fornecer eletricidade.

Veja abaixo o vídeo de apresentação do MobileMill:

artigo de ciclovivo: http://ciclovivo.com.br/noticia/trailer-produz-energia-solar-e-eolica-para-areas-afetadas-por-desastres

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PSICODERMATOLOGIA: FUSÃO ENTRE A MENTE E A PELE

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Juliana Carvalho Moretto* / Prof. Dra. Márcia Gonçalves**
http://www.polbr.med.br/ano14/prat0414.php

A psicodermatologia, uma subespecialidade primariamente dermatológica, estuda as interações entre a mente e a pele. [1]. Devido a sua capacidade de responder a estímulos emocionais, de expressar emoções como raiva, medo, vergonha e frustração e de proporcionar autoestima, a pele tem um lugar especial na psiquiatria desempenhando um papel importante no processo de socialização na infância até a idade adulta [2] . Ambos, cérebro e pele, são de origem ectodérmica e, portanto, há entre eles uma complexa interação entre os sistemas neuroendócrino e imunológico que tem sido descrito como o NICS, ou sistema neuro- imuno-cutâneo. A interação entre o sistema nervoso, pele e imunidade tem sido explicada pela liberação de mediadores de NICS [3,4 ] .

Embora não exista um sistema único de classificação universalmente aceita para os distúrbios psicocutâneos e muitas das condições são sobrepostas em diferentes categorias, o sistema mais aceito é o planejado por Koo Lee [4]. Ele classifica as doenças psicodermatológicas em 3 grupos. As dermatoses da gênese psicológico / psiquiátrico primário são responsáveis por doenças dermatológicas autoinduzidas, são elas a dermatite artefata, tricotilomania, torcicolo, distúrbios dismórfico corporal. As dermatoses psicossomáticas possuem uma base multifatorial e estão sujeitas a influências emocionais, são elas: psoríase, dermatite atópica, acne, formas crônicas de urticária, líquen simples crônico e a hiperidrose. Por fim, os transtornos psiquiátricos secundários a doenças psiquiátricas ou transtornos de ajustamento com depressão ou ansiedade são vistos em condições como alopecia aerata ou vitiligo

O perfil dos pacientes psicodermatologicos é variado. Os problemas emocionais devido à doença da pele incluem a vergonha, distorção da imagem corporal e baixa autoestima. O impacto psicossocial depende de uma série de fatores, incluindo a história natural da doença em questão, características demográficas do paciente, traços de personalidade junto a situações da vida e o significado da doença na família e cultura do paciente [5].

Foi relatado que a incidência de transtornos psiquiátricos em pacientes dermatológicos esteja em torno de 30 a 60%, [6] e o transtorno delirante mais comumente encontrado em clínicas dermatológicas é o Delírio parasitário. [5,7] A prevalência de distúrbios psiquiátricos em pacientes com doenças dermatológicas é ligeiramente maior em comparação a mesma em doenças neurológicas, oncológicas e em pacientes cardiopatas. [8]. Os medicamentos utilizados no tratamento de doenças dermatológicas tais como o esteróide e retinóide podem desencadear sintomas psiquiátricos. [ 9 ]

Pacientes do sexo feminino e viúvas / viúvos apresentam uma maior prevalência de comorbidades psiquiátricas associadas a quadros dermatológicos. [10] Características hostis de personalidade e sintomas neuróticos têm sido frequentemente observados em pacientes com doenças dermatológicas como psoríase, urticária e alopecia. [11] Algumas, como a acne conglobata (especialmente em homens), dermatite síndrome artefacta, transtorno dismórfico corporal, esclerodermia sistêmica progressiva e metástase de melanoma maligno, são particularmente associados com alto risco de suicídio, para as quais um encaminhamento psiquiátrico urgente é recomendado .[12]

A porcentagem de pacientes que relatam labilidade emocional varia conforme a doença, aparecendo em 50% dos pacientes com acne, em mais de 90% daqueles que apresentam rosácea, alopecia aerata, escoriações neuróticas ou líquen simples e pode chegar a 100% em pacientes com hiperidrose.[13] O estresse, mesmo que não seja o fator causal da doença de pele, pode precipitar ou exacerbar a doença. Foi relatado que o estresse atuou como fator precipitante do primeiro surto de psoríase em 44% dos pacientes e precedeu as erupções recorrentes em até 80% dos indivíduos.[13,14] Na dermatite atópica foi relatado que 70% dos pacientes passaram por eventos estressantes antes do início da doença, [15] a gravidade dos sintomas tem sido atribuída ao estresse interpessoal e familiar, e problemas no ajustamento psicossocial e baixa autoestima têm sido frequentemente observadas. [16,17]

Embora a psicodermatologia ainda seja uma subespecialidade ignorada por alguns profissionais, a consciência das doenças psicodermatológicas está aumentando [ 18]. Há uma necessidade de uma abordagem biopsicossocial para pacientes com doença de pele. [19,20 ] A terapia de ligação permite uma abordagem multidisciplinar, com a cooperação de termos psiquiátricos e dermatológicos e procedimentos diagnósticos simultâneos para tratamento de pacientes com distúrbios psicodermatológicos. [ 21 ]. A consideração de fatores psiquiátricos e psicossociais é importante tanto para a abordagem de distúrbios psicodermatológicos, bem como para prevenção secundária e terciária de uma ampla gama de doenças dermatológicas, [22] além do que, independentemente de morbidade psiquiátrica, doenças de pele podem afetar significativamente a qualidade de pacientes vida. [23]

1. Koo J, Lebwohl A. Psychodermatology. The mind and skin connection. Am Fam Physician.2001;64:1873–8. [PubMed

]
2. Domonkos AN. Andrew’s Disease of the skin. 6th ed. Philadelphia: WB Saunders C; 1971. Pruritus, Cutaneous neuroses and Neurocutaneous dermatoses; pp. 61–76.

3. Koblenzer CS. Psychosomatic concepts in dermatology. Arch Dermatol. 1983;119:501–12. [PubMed]

4. Misery L. Neuro-immuno-cutaneous system (NICS) Pathol Biol. 1996;44:867–87.[PubMed]

5. Ginsburg IH.. The psychosocial impact of skin disease: an overview.Dermatol Clin. 1996;14:473–484. [PubMed]

6. Korabel H, Dudek D, Jaworek A, Wojas-Pelc A. Psychodermatology: Psychological and psychiatrical aspects of aspects of dermatology. Przegl Lek. 2008;65:244–8. [PubMed]

7. Munro A. Monosymptomatic hypochondriacal psychosis. Br J Psychiatry.1988;2:37–40. [PubMed]

8. Harth W, Gieler U, Kusnir D, Tausk FA. Clinical management in dermatology. 1st ed. Berlin Heidelberg: Springer-Verlag; 2009. Prevalence of somatic and emotional disorders; p. 7.

10. Picardi AI, Aberi D, and Melchi CF. et al. Psychiatric morbidity in dermatological outpatients: an issue to be recognized. Br J Dermatol.

11. Laihinen A.. Psychosomatic aspects in dermatoses. Ann Clin Res. 1987;19:147–149.[PubMed]

12. Cotteril JA, Cunliffe WJ. Suicide in dermatological patients. Br J Dermatol.1997;137:246–50. [PubMed]

13. Cotterill JA.. Psychophysiological aspects of eczema. Semin Dermatol. 1990;9:216–219. [PubMed]

14.Al’Abadie MS, Kent CG, Gawkrodger DJ.. The relationship between stress and the onset and exacerbation of psoriasis and other skin conditions. Br J Dermatol.1994;130:199–203. [PubMed]

15. Faulstich ME, Williamson DA.. An overview of atopic dermatitis: towards bio-behavioral integration. J Psychosom Res. 1985;29:415–417.[PubMed]

16. Gil KM, Keefe FJ, and Sampson HA. et al. The relation of stress and family environment to atopic dermatitis symptoms in children. J Psychosom Res. 1987. 31:673–684. [PubMed]

17. Lapidus CS, Kerr PE.. Social impact of atopic dermatitis. Med Health R I. 2001;84:294–295. [PubMed]

18. Millard L. Dermatological practice and psychiatry. Br J Dermatol.2000;143:920–1. [PubMed]

19. Picardi A, Amerio P, Baliva G, Barbieri C, Teofoli P, Bolli S, et al. Recognition of depressive and anxiety disorders in dermatological outpatients.Acta Derm Venereol. 2004;84:213–7. [PubMed]

20. Richards HL, Fortune DG, Weidmann A, Sweeney SK, Griffiths CE. Detection of psychological distress in patients with psoriasis: Low consensus between dermatologist and patient. Br J Dermatol. 2004;151:1227–33.[PubMed]

21. Koo J. Skin disorders. In: Kaplan HI, Saduck BJ, editors. Comprehensive textbook of psychiatry. 6th ed. Baltimore: Williams and Wilkins; 1995.

22. Kieć-Swierczyńska M, Dudek B, Krecisz B, Swierczyńska-Machura D, Dudek W, Garnczarek A, et al. The role of psychological factors and psychiatric disorders in skin diseases. Med Pr. 2006;57:551–5. [PubMed]

23. Finlay AY. Quality of life assessments in dermatology. Semin Cutan Med

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